Como “opera” o design thinker

Pessoal, trabalhando e observando a atitude e habilidades  do “design thinker”, aquele que “opera” com design thinking…

- gosta de experimentar novas idéias e teorizá-las a partir da prática

- concebe construtivamente novos conceitos com as pessoas

- está preocupado com a sustentabilidade das coisas e em gerar um mundo melhor

- não se intimida em combinar elementos de diferentes conhecimentos, culturas e contextos na solução de problemas complexos

- o mundo é uma teia multidimensional

- não conflita pontos de vista, mas provoca o “choque integrativo” dos mesmos na geração de algo “novo” e que seja benéfico para todos

- sacrifica sua vida pessoal e profissional em nome de “algo” que muitas vezes não sabe explicar (uma “busca”, por exemplo)

- trabalha no limiar do impossível e do possível

- sua devoção ao trabalho carrega e inspira outras pessoas

- fogem de soluções “óbvias”, conhecidas

- procura fazer uma imersão no problema, às vezes sem saber direito aonde vai dar

- operam fortemente com intuição, ambiguidade, complexidade

- dia e noite não tem diferença (à noite, os sonhos são apenas uma extensão dos processos criativos que acontecem durante o dia)

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Cocriando o futuro dos estados e cidades brasileiras

Historicamente a população espera que seus governos promovam o bem estar da sociedade e resolvam (ou pelo menos reduzam) os problemas sociais e econômicos de seus estados ou municípios. A soluções de governo seguem uma trajetória previsível: políticos eleitos formulam planos e tecnocratas criam orçamentos que o legislativo aprova; uma legião de servidores públicos sai implementando os programas de governo. Mas de onde vem as idéias para estes projetos? Ou, como anda o progresso destas ações? Projetos cujas idéias não sabemos direito de onde vieram se transformam em projetos, cujo monitoramento raramente é submetido para apreciação da sociedade e, mesmo quando o governo presta contas, o fato já foi consumado. Quando o mandato da administração pública termina, muitas das ações param, até que um novo governo eleito assuma o comando e o ciclo reocomeça, tudo de novo.
Em 2006, a prefeitura de Seul (capital da Coréia do Sul), começou a quebrar esta lógica. Através de uma plataforma de rede social chamada OASIS, o prefeito Oh Se-hoon decidiu que aqueles que decidiam tinham que parar de decidir. Ou melhor, convidou os 10 milhões de habitantes da cidade para colaborar com idéias sobre como melhorar o bem estar da população na cidade de Seul. A iniciativa teria 5 etapas: uma 1a etapa captura as idéias e sugestões da população sobre diversas temáticas (“desafios”) pré-definidos pela prefeitura (exemplo: lazer, trânsito, segurança, entre outros); uma 2a etapa leva (via redes socias) ao diálogo e debate público as idéias; uma 3a etapa (feita pela prefeitura) elege as idéias mais aderentes ao plano estratégico municipal elaborado pela prefeitura; uma 4a etapa convida os autores das idéias e quem mais se interessar para um debate público e ao vivo com funcionários públicos da prefeitura para discutir a viabilidade destas idéias; uma 5a etapa transforma as idéias em projetos e parte para a implementação, articulando os 3 setores (governo, empresas e ONGs). Em 2009, metade da população já tinha aderido à iniciativa, 34 mil idéias tinham sido submetidas, das quais 75 se transformaram em projetos (hoje 55 deles já foram implementadas em Seul).
No Brasil, iniciativas como a Agenda 2020 (www.agenda2020.org.br) no Rio Grande do Sul e o Todos Pela Educação (www.todospelaeducacao.org.br) mostram que é possível articular e mobilizar a sociedade, o governo e o 3o setor em busca de projetos estratégicos que melhore o bem estar de todos, especialmente o das futuras gerações.
E o futuro das cidades brasileiras em que vivemos? Se a gente pudesse articular uma plataforma de engajamento dos 3 setores (empresarial, político e social) nas principais capitais, tenho a certeza de que empresários, empreendedores sociais e ativistas políticos impulsionariam idéias de projetos nas áreas de turismo, meio ambiente, cultura, transportes, educação, saúde segurança. Utilizando o poder das redes sociais na internet e da inteligência coletiva da população, podemos engajar os habitantes das cidades tanto na etapa de geração de idéias como no design e implementação de soluções originadas por estas idéias. Temos pelo menos 2 motivos “nobres” para acionar este tipo de inciativa em nossas cidades: Copa 2014 e Olimpíadas 2016.

A oportunidade está lançada!

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O Design de Negócios

Prefácio à Edição Brasileira do livro “Design de Negócios”, de Roger Martin (editora Campus Elseveir) com lançamento no Brasil previsto para agosto/2010:

“Se a gente fosse resumir os últimos vinte anos do nosso aprendizado com gestão certamente lembraremos de conceitos como estratégia competitiva, benchmarking e qualidade. Bons técnicos que somos, aprendemos a fazer boas análises: do mercado, dos cenários externos à nossa empresa, da concorrência, das melhores práticas de outras empresas e, baseados nestas análises, tomar decisões. Partindo de dados e fatos, analiso todas as alternativas primeiro, o terreno em que estou pisando e depois escolho que caminho tomar .

Estamos em 2010. O que acontece então se eu como empresa fizer uma análise de mercado, traçar os cenários políticos-econômicos-tecnológicos dos próximos 5 anos, comparar-me com as empresas de excelência e trazer as melhores práticas. Primeiro, o meu concorrente deve estar fazendo as mesmas análises e, possivelmente, contratando os mesmos institutos de pesquisa e consultorias que irão produzir análises (e conclusões) mais ou menos parecidas. Mas surge um outro desafio, antes mesmo das análises ficarem prontas, a tecnologia mudou, o consumidor agora quer outra coisa e temos um novo concorrente chinês aportando no país. Ora, este não é o mundo em que vivemos hoje? Por mais que façamos análises, o contexto externo é mais dinâmico do que a nossa capacidade de entendê-lo e digeri-lo e, enquanto empresa, produzir decisões razoáveis sobre o futuro. Em outras palavras, os modelos tradicionais de gestão baseados na análise talvez estejam rígidos demais para nos ajudar a compreender e a transformar a realidade dos negócios.

O Design Thinking (DT) é, antes de mais nada, uma tentativa de traduzir , de “dissecar” a maneira como pensam, os métodos, a atitude de empreendedores, dos inovadores, algo mais ou menos como buscar entender como funciona um Steve Jobs da Apple ou um Howard Schultz da Starbucks. O DT é um caminho alternativo, o do design enquanto forma de pensar. Em poucas palavras, o design thinking sugere que, ao invés de analisar alternativas existentes, é melhor desenhar futuros alternativos que façam sentido, que tragam algum significado para as pessoas (para nossos clientes, por exemplo), que sejam válidos e relevantes. O DT propõe ainda uma compreensão mais ampla e profunda da experiência das pessoas, dos problemas que nos afligem enquanto consumidores e como sociedade.

Como resultado, o DT gera novos negócios (ou modelos de negócio), estratégias, serviços, produtos, tecnologias. No entanto, o DT não abandona, não exclui a análise, apenas coloca a análise no seu lugar certo, ou seja, na hora em que nossa idéia do que será o futuro está mais ou menos desenhada. E adiciona elementos que faltavam à frieza das análises: criatividade e intuição. O design thinking se transforma então em processo, em método de inovação centrado em aspectos humanos, utilizando métodos como a observação, co-criação, visualização, prototipação e modelagem do negócio.

Design thinkers (indíviduos que “operam” com DT) estão em busca de melhorar a vida das pessoas e ajudar a construir um mundo melhor para todos. O Brasil também tem os seus design thinkers, podemos nomear alguns deles: Fabio Barbosa desenhou um novo conceito de banco através da sustentabilidade, o Banco Real;  Jorge Gerdau, além de empresário, é um exímio designer social que está ajudando a moldar a gestão pública brasileira; Eike Batista, designer de novos negócios em segmentos até então oligopolizados como mineração e petróleo; Samuel Klein criou o modelo de negócio ideal para a população de baixa renda, as Casas Bahia.

Este livro “Design de Negócios” mostra que as empresas estão caminhando na direção da economia criativa, procurando  mobilizar inovação para o crescimento.  E mais do que vender um produto ou serviço, as empresas do design thinking foram capazes de agregar um valor significativo aos produtos e serviços, às marcas,  gerando uma experiência única para as pessoas. Roger Martin é um dos primeiros autores apresentar os conceitos do Design Thinking em um estilo elegante, posicionando o DT como uma poderosa forma de gerar inovação e novos negócios.”

André Ribeiro Coutinho

Designer de Inovação e Novos Negócios pela Symnetics

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Homenagem a quem tanto nos inspirou

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.”

JOSÉ SARAMAGO, Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

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Cocriando o futuro da dança brasileira

O violinista e dançarino Antonio Nóbrega, em cena com Maria Eugênia Almeida e Marina Abib no espetáculo "Naturalmente"

Afinal o que é arte brasileira senão a fusão da cultura de três continentes, a indígena (que já existia antes das outras), a africana e a européia (sobretudo a portuguesa)? Antônio Nóbrega, um multitasker da arte (músico, dançarino, compositor, pesquisador e professor) propõe a cocriação de uma nova arte brasileira a partir dos elementos (“vocabulários”) deixados aqui no Brasil pelos fragmentos de diversas culturas que aqui aportaram nestes 500 anos. Cocriando uma nova arte “universal” e original, Nóbrega trabalha de forma persistente no “limiar” da tradição e do moderno da dança, dos tempos e contratempos da música e na “amarração” dos diversos sotaques que compõe a diversidade cultural brasileira. Está aberto um novo campo de possibilidades. Numa atitude ao mesmo tempo ambígua, porém integrativa, Nóbrega se desprende de sua própria cultura, mas elabora a partir dela. Ele faz a leitura das artes brasileiras com um olhar, com lentes de século XXI e isto tem feito uma enorme diferença na arte que ele está cocriando. Naturalmente é o nome do seu último espetáculo, aliás uma “aula-espetáculo”, inovando na forma…http://bit.ly/bMHza9

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8 minutos sobre Design Colaborativo

A equipe da Symnetics preparou e publicou nas redes sociais no dia 7 de junho de 2010 um “manifesto” integrando experiências, idéias, perspectivas e pontos de vista sobre “Design Colaborativo”. Não deixem de ler: 8 min of Collaborative Design

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Da reengenharia dos processos ao redesign de interações…

Suponhamos que eu sou um dono de um restaurante. Estamos em 1998. Depois de fazer benchmarking com alguns colegas que também têm restaurante, chego a conclusão de que preciso fazer uma “reengenharia de processos” para estabelecer um bom padrão de atendimento, diminuir a fila de espera dos meus clientes, otimizar os estoques de alimentos, entre outras melhorias operacionais. Para deixar meu restaurante produtivo e eficiente, preciso repensar do fluxo de atividades (ou rotinas) que de alguma forma entregam “valor” ao cliente.

Estamos em 2010. Na era do “consumidor 2.0″, + informado, + ativo, + conectado do que nunca, existem sinais de que, no final das contas, o que importa para as empresas e para as pessoas que delas fazem parte são as próprias pessoas…Ora, já estamos “humanizando” a saúde, a educação e tudo indica que as empresas caminham nesta mesma direção. As empresas querem se humanizar, ou seja, cair na real de que organizações são feitas de pessoas e que este “recurso” é talvez mais importante que processos, métodos, padrões, modelos. Para humanizar as empresas, procuramos conhecer a interação (os laços sociais, as relações) entre elas. Por que? Para criar sentido e relevância (“valor”). E o “valor” nasce da qualidade destas interações (das “experiências”), interações que podem acontecer entre pessoas mas também entre pessoas e coisas (exemplo – com tecnologias, com ambientes físicos ou virtuais). Expandindo a idéia de humanização para fora das empresas, podemos agregar as partes interessadas (clientes, fornecedores, parceiros, governo, ONGs, entre outros “agentes”) e humanizar também a relação entre as diferentes partes, criando interações “ganha-ganha” que produzam experiências positivas para todos.

Ora, falar reengenharia de processos no mundo do consumidor 2.0, da humanização das empresas, é como “arrumar a gaveta com a casa pegando fogo”…ou não? As empresas do final do século XX redesenhavam processos…As empresas do século XXI redesenham interações…E este é justamente o propósito da cocriação.

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