O modo da arte nos negócios

Os vários processos da produção artística representam modos de pensar, sentir e agir únicos que podem ser transferidos ao processo de inovação das organizações…

Desconstrução

Aprendendo a chegar ao essencial. Esse exercício consiste em “despir” aos poucos o objeto, sabendo distinguir quais são os elementos não relevantes que podem ser removidos. Desenvolve a capacidade de sintetizar, de chegar ao essencial da questão.

Desconstrução e reconstrução

Criando novas associações. Neste exercício, alguns elementos – que talvez isoladamente não seriam suficientes para alcançar o resultado desejado – são extraídos, adaptados e realocados para obter algo novo. Desenvolve a capacidade de enxergar novas potencialidades em recursos através de novas associações.

Modificação da realidade

Pequenas intervenções de grande impacto. Neste exercício, a realidade é alterada, modificando só um ou poucos parâmetros, para atingir o resultado esperado ou criar ou máximo de impacto. Desenvolve a capacidade de “pensar fora da caixa”. Ajuda a tentar obter resultados primeiro à partir da solução mais “óbvia” (“solução aha”), sem necessidade de muitos recursos e artifícios.

Construção a partir de elementos restritos

Atingindo resultados com escassez de recursos. Na arte existe sempre uma forma mais simples e mais eficaz de alcançar um resultado. Não é preciso esperar um momento de crise para pensar de forma austera sobre o uso de recursos e a maximização dos resultados esperados. Este exercício consiste em produzir com alguma restrição (de movimento, de equipamento, de verba, etc.) já que temos que lidar com recursos limitados: estimula a criatividade e a capacidade de maximizar o resultado de uma ação, desenvolve a capacidade de sintetizar e a capacidade de atuar em situações ambíguas (ex: ambiente com excesso de política)

Destrói e conserta

Improvisações que estimulam a ação intuitiva. Este exercício envolve uma ação prévia espontânea de quase qualquer natureza como ponto de partida. Depois, é preciso “resolver”, trabalhar em cima disso. Ajuda a combater a inércia e a apatia num ambiente rapidamente mutável. Ajuda a acreditar em nossos instintos para tomada de decisão rápida, a adaptação, a improvisação, a espontaneidade e a capacidade criativa.

Construção de uma realidade imaginária

Aprendendo a interpretar os sinais e a usar nosso canais de expressão inconscientes. Os artistas tem a habilidade de captar e expressar o que está “no ar”. Incorporam tensões, tendências, questões, que as vezes não se manifestaram ainda de forma declarada na sociedade. O contato com essa forma de arte pode desenvolver a capacidade de antecipação e de interpretação de “sinais”. Praticar este exercício pode estimular percepções, e a visualização de direções (como os sonhos). É um canal para o sub-consciente.

Distância, ângulo, e troca de “olhos”

Obtendo o máximo em todos os processos. Se o artista não se afasta de vez em quando do seu trabalho, para ter uma visão do todo, ou não tenta observá-lo com sob diferentes ângulos e olhos, é provável que constate que não evoluiu de forma satisfatória. O mesmo é aplicável em tudo: se não paramos para ter múltiplas visões do que fazemos, podemos perder o rumo das coisas.

obs. texto desenvolvido com apoio do colega artista plástico Maurizio Mancioli.

Sobre andrercoutinho

André Ribeiro Coutinho Sou ativista & designer de inovação pela Symnetics (www.symnetics.com.br) e professor de empreendedorismo e inovação da ESPM, BSP-Business School São Paulo e FIAP. Uma parte do meu trabalho é com as empresas e consiste no design e implementação de iniciativas de inovação envolvendo indivíduos de dentro das empresas e de fora dela (representantes dos clientes, clientes dos clientes, influenciadores, parceiros e outros agentes) em um processo de co-criação off line e on line. Este tipo de trabalho, por sinal estimulante e de alto valor para as empresas (é o que elas dizem), é puro engajamento de pessoas. Inclui a descoberta com liderança do por que, como, onde e com quem inovar, a facilitação e aplicação de mais de 50 métodos para diferentes equipes na geração de idéias e oportunidades, o design de soluções, modelos de negócio e propostas inovadoras de valor (estratégia do oceano azul), a tradução de tudo isto em business cases / business plans, scorecards e portfolios de projetos. Daí procuramos transformar tudo isto em processo contínuo através de tecnologia, governança adequada, métricas e sistemas de incentivos. Uma outra parte do meu trabalho acontece na através da construção de agendas estratégicas públicas para o desenvolvimento econômico e social de forma co-criada com empresários e outros agentes da sociedade civil organizada. Acredito que iniciativas não governamentais estão gradual e silenciosamente transformando o Brasil nos últimos e influenciando políticas públicas ("policies") de governo. A tereceira parte do meu trabalho com iniciativas de educação a exemplo das comunidades de prática, summits, fóruns de gestão e inovação e jornadas de aprendizagem em que as pessoas aprendem na prática vivenciando e dramatizando os conceitos. Não acredito nos modelos tradicionais de ensino em que o professor (sabe tudo) ensina e o aluno (sabe nada) aprende. Desde 2005 coordeno no Brasil e América Latina a rede de inovação co-criação através da aliança com a Experience Co-Creation Partnership (EUA), fundada por Venkat Ramaswamy e Francis Gouillart. Sou co-autor e co-organizador do livro "Gestão da Estratégia: Experiências e Lições de Empresas Brasileiras" (editora Campus) e escrevo mensalmente para revistas, jornais, portais e livros de negócio no Brasil, América Latina e Estados Unidos. Estou escrevendo 2 livros, um chamado "O Ativista da Estratégia" (editora Campus) e outro em parceria com o Ramaswamy com título provisório "Co-crianção de Valor: Inovação Made in Brazil", ambos com previsão de lançamento em 2010. De vez em quando sou palestrante convidado em universidades e nos eventos de management no Brasil e exterior. Sou casado e tenho uma filha de 1 ano. Tenho como hobbies a leitura, a yoga, comics, cinema e viagens exóticas pelo planeta. Como filosofia de vida, acredito que temos que moldar e implementar o que queremos do mundo em que vivemos, mão dá para esperar que os "outros" façam isto.
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