Social Business – os negócios se tornaram (ou sempre foram) sociais

Há 60 anos Peter Drucker já dizia que essencialmente a missão de toda e qualquer empresa é, acima de tudo, social. Se os negócios são naturalmente sociais, onde então investir tempo e energia? Ora, nas interações sociais entre empresas e seu públicos de interesse (stakeholders) ou entre os próprios stakeholders, ou melhor, na qualidade destas interações (experiências). Muitas destas interações resultam em ganhos para a empresa, perdas para os stakeholders ou vice-versa, perdas para a empresa, ganhos para os stakeholders. Relações do tipo ganha-perde não são sustentáveis no longo prazo. O valor é gerado à medida em que são gerados benefícios mútuos para os stakeholders ou se reduzem (ou no mínimo se compartilham) os riscos envolvidos. Entretanto não podemos subestimar que as interações são complexas e repletas de ambiguidades, paradoxos e conflitos. É possível sim intensificar a qualidade as interações, criando mais relevância na relação de forma a balancear o stress gerado pelas ambiguidades, paradoxos e conflitos inerentes a qualquer relação.

Imaginem um hospital que decide investir na qualidade das interações com seus públicos e irá…

-       promover qualidade e atendimento superior ao paciente e seus familiars na beira do leito;

-       implementar programas de relacionamento ganha-ganha para fidelizar médicos;

-       construir plataformas de serviços diferenciados que atendam às expectativas dos executivos e funcionários das empresas;

-       que estabeleça um acordo com os planos de saúde que minimize o risco financeiro de operação de ambas as partes.

Estas medidas não eliminam os conflitos de interesse…

-       de que os planos de saúde têm seus próprios hospitais e até concorram com o seu parceiro hospital;

-        de que os médicos atendem em mais de um hospital em portanto não necessariamente “fiéis” a uma única instituição;

-       que as empresas prefiram acessar diretamente uma plataforma de serviços do hospital sem necessariamente contratar o plano de saúde e hospital assim cria suas próprias fontes pagadoras;

Pois bem, o buzz agora nos negócios é a “rede social”.

Os executivos das empresas dizem por aí “precisamos estar nas redes sociais ou até criar a nossa própria rede social”. “Rede social” da maneira como se prega por aí é apenas um instrumento amparado pela tecnologia e mídia digital (internet, celular, etc) para viabilizar uma interação de maior qualidade entre a empresa e seus stakeholders ou entre os próprios stakeholders.

Resumo da ópera, estamos caindo na mesma armadilha tecnicista da década de 90, lá vamos nós em massa de novo implantar uma “tecnologia” de rede social sem pensar na estratégia (assim como fizemos com os sistemas ERP de gestão ao implantar tecnologia sem processos)…

Ora, “rede social” é a ponta do iceberg das interações possíveis de serem potencializadas, aprimoradas ou transformadas, gerando experiências de valor para com/entre stakeholders.

“Rede social” é uma estratégia mais robusta que tem a ver com a maneira pela qual as empresas prentedem interagir ou até “cocriar” com seus stakeholders, maximizando a qualidade das interações (experiência), para contra-balancear o stress gerado pelas ambiguidades, paradoxos e conflitos de interesse inerentes a qualquer relação.

Redes sociais dizem respeito a estratégias de negócios (que sempre foram) sociais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre andrercoutinho

André Ribeiro Coutinho Sou ativista & designer de inovação pela Symnetics (www.symnetics.com.br) e professor de empreendedorismo e inovação da ESPM, BSP-Business School São Paulo e FIAP. Uma parte do meu trabalho é com as empresas e consiste no design e implementação de iniciativas de inovação envolvendo indivíduos de dentro das empresas e de fora dela (representantes dos clientes, clientes dos clientes, influenciadores, parceiros e outros agentes) em um processo de co-criação off line e on line. Este tipo de trabalho, por sinal estimulante e de alto valor para as empresas (é o que elas dizem), é puro engajamento de pessoas. Inclui a descoberta com liderança do por que, como, onde e com quem inovar, a facilitação e aplicação de mais de 50 métodos para diferentes equipes na geração de idéias e oportunidades, o design de soluções, modelos de negócio e propostas inovadoras de valor (estratégia do oceano azul), a tradução de tudo isto em business cases / business plans, scorecards e portfolios de projetos. Daí procuramos transformar tudo isto em processo contínuo através de tecnologia, governança adequada, métricas e sistemas de incentivos. Uma outra parte do meu trabalho acontece na através da construção de agendas estratégicas públicas para o desenvolvimento econômico e social de forma co-criada com empresários e outros agentes da sociedade civil organizada. Acredito que iniciativas não governamentais estão gradual e silenciosamente transformando o Brasil nos últimos e influenciando políticas públicas ("policies") de governo. A tereceira parte do meu trabalho com iniciativas de educação a exemplo das comunidades de prática, summits, fóruns de gestão e inovação e jornadas de aprendizagem em que as pessoas aprendem na prática vivenciando e dramatizando os conceitos. Não acredito nos modelos tradicionais de ensino em que o professor (sabe tudo) ensina e o aluno (sabe nada) aprende. Desde 2005 coordeno no Brasil e América Latina a rede de inovação co-criação através da aliança com a Experience Co-Creation Partnership (EUA), fundada por Venkat Ramaswamy e Francis Gouillart. Sou co-autor e co-organizador do livro "Gestão da Estratégia: Experiências e Lições de Empresas Brasileiras" (editora Campus) e escrevo mensalmente para revistas, jornais, portais e livros de negócio no Brasil, América Latina e Estados Unidos. Estou escrevendo 2 livros, um chamado "O Ativista da Estratégia" (editora Campus) e outro em parceria com o Ramaswamy com título provisório "Co-crianção de Valor: Inovação Made in Brazil", ambos com previsão de lançamento em 2010. De vez em quando sou palestrante convidado em universidades e nos eventos de management no Brasil e exterior. Sou casado e tenho uma filha de 1 ano. Tenho como hobbies a leitura, a yoga, comics, cinema e viagens exóticas pelo planeta. Como filosofia de vida, acredito que temos que moldar e implementar o que queremos do mundo em que vivemos, mão dá para esperar que os "outros" façam isto.
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